"Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém..." (Rm 8:26).
Todos nós temos fraquezas! Somo incapazes de viver vitoriosamente a partir de nossos próprios esforços e recursos. Somos limitados, contingentes. Por mais obstinados que sejamos e realizadores ainda assim fica evidente que somos fracos. Os livros de autoajuda estão sempre nos desafiando a encontramos em nós a força que temos adormecida dentro de nós para nos tornarmos vitoriosos e capazes de todas as grandes realizações. No entanto, a Palavra de Deus ensina que não somos fortes. A força não vem de dentro, mas do alto, de cima, de Deus. Temos fraquezas em várias áreas da vida. Temos fraquezas físicas, emocionais, morais, existenciais e espirituais. Somos constantemente atropela- dos por essas fraquezas. Tropeçamos nas próprias pernas. Somos esma-gados pelo rolo compressor dessas debilidades que nos assaltam e nos humilham debaixo de suas botas.Quantas vezes já prometemos a nós mesmos que venceríamos determinados hábitos, evitaríamos determinados pecados e romperíamos com determinadas práticas, para logo depois sermos flagrados repetindo essas mesmas coisas? Quantas vezes já nos desesperamos da própria vida, achando que jamais conseguiríamos conviver com nossas mazelas? Quantas pessoas, asfixiadas pelas crises, não conseguem enxergar uma luz de esperança no túnel do tempo e se atiram no abismo do suicídio porque não conseguem superar suas fraquezas? E importante ressaltar que a maior fraqueza consiste na confiança infundada em nossa pretensa força. Diz o apóstolo Paulo que, quando somos fortes, aí é que somos fracos. A nossa ruína está no fato de confiar em nossa força. Não há perigo mais avassalador do que viver alicerçado nesta ilusão de que somos fortes. Aqueles que confiam em seus próprios recursos são os que naufragam, pois a soberba precede a ruína. A altivez é a ante-sala da queda. Na verdade, somos fracos. Temos fraquezas morais profundas. Muitas vezes, combatemos nos outros aquilo que praticamos. Censuramos nos outros aquilo que agasalhamos no coração. Da mesma maneira, nossa fraqueza espiritual é evidente. Sempre que tentamos ostentar uma fachada de piedade, estamos, na verdade, escondendo nossa mediocridade. Quando proferimos palavras carregadas de religiosidade em tom presunçoso, muitas vezes estamos trajando a capa do farisaísmo. Aos olhos de Deus, nossa pretensa força é fraqueza consumada, e nossa justiça própria, como trapos de imundícia. A teologia que ensina que o homem tem a força, que o homem é um ser divino em miniatura, que o poder para uma vida bem-aventurada emana de dentro do próprio homem é uma falácia. Todo homem tem os pés de barro. Todos temos nosso calcanhar de Aquiles. Todos temos fraquezas. A lenda grega diz que Tétis segurou seu filho Aquiles pelo calcanhar para mergulhá-lo num rio do Egito, cujas águas o tornariam invencível. Tétis queria contrariar um oráculo que dizia que seu filho morreria na guerra de Tróia. Muitos anos depois, numa batalha, ele foi morto com uma flecha cravada no calcanhar, exatamente o ponto que não fora imerso no rio. Essa lenda retrata a verdade de que todos somos vulneráveis. Não há nenhum ser humano poderoso, autossuficiente, capaz de triunfar sobre o mal sustentado em sua própria força ou virtude. Deus conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó. Um fato glorioso que merece ser destacado é o de que Deus não nos abandonou nem virou seu rosto por nossas fra-quezas. Não desistiu de nós por nosso fracasso. Não nos esmagou nem nos esbofeteou ao flagrar-nos na contramão de sua vontade. Não nos rejeitou nem nos condenou ao ver-nos caídos. Não nos deixou entregues a nossa própria sorte. Não sentiu nojo de nossa imundícia. Não escondeu seu rosto santo de nós por nossa feiúra existencial. Não nos desamparou, não esmagou a cana quebrada nem apagou o pavio que fumega. O apóstolo Paulo diz que o Espírito nos assiste em nossas fraquezas. Ele se solidariza com o sofrimento humano. Nosso Deus é sensível, amoroso e sofre conosco. Ele se encurva para descer até nós e carregar nosso fardo pesado. Quando nos sentimos cansados, nos toma no colo. Fortalece-nos quando nossa sensação é de fraqueza. Deus nos consola quando a tristeza nos encurrala, e alivia a nossa carga quando o peso da vida nos pressiona além da conta.
Boletim nº58
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