15 de set. de 2011

Vencendo o Desafio de Viver em Comunidade


Após a criação Deus fez uma constatação: não é bom que homem viva sozinho!(Gen. 2:18) Com a criação da mulher começava a vida em sociedade. Vivemos para estar com os outros, falar, ouvir e conviver, tanto que, quando alguém somente quer ficar sozinho, pode estar doente. Uma das características da depressão, é justamente o isolamento. O pecado atrapalhou o relacionamento humano planejado por Deus para ser perfeito. Conviver em sociedade passou a ser um grande desafio. Para entender melhor a questão, vale considerarmos três grupos de pessoas que geralmente estão interagindo e se relacionando: os que não sabem dizer "não", os manipuladores e os insensíveis. No primeiro grupo, daqueles que não sabem dizer não estão as pessoas que dizem "sim" para tudo, mesmo em situações que não querem e/ou não podem, e depois ficam magoadas e ressentidas, tristes com as que a estão "obrigando". Há também o caso daquelas muito inseguras e com auto-estima baixa que acham que se disserem um "não" para alguém ou expressarem sua vontade vão perder amizade e/ou carinho. Quem faz parte deste primeiro grupo deve se trabalhar e começar a desenvolver os "nãos" justamente com pessoas queridas e amigas, que vão respeitar e aceitar sua decisão, se "forçam a barra", na verdade não são tão amigas assim. Vale ainda lembrar que o "não" deve ser dito de forma educada, mas firme, sem agressividade. É uma grande conquista. Na vida de Jesus, por exemplo, no primeiro milagre, quando Maria veio lhe dizer que o vinho da festa havia acabado, ele educadamente disse à sua mãe: - Não é preciso que a senhora diga o que devo fazer(Jo 2.4), e não pecou, colocou um limite na própria mãe. O segundo grupo, dos manipuladores, geralmente vai agir sobre aqueles citados no parágrafo anterior. Os manipuladores podem ser divididos em dois subgrupos: os agressivos e os astutos. Este grupo geralmente surge a partir de pessoas que tiveram suas vontades notadamente atendidas quando crianças, não receberam muitos "nãos" e quando recebem, não se conformam e tentam reverter a situação, não lidam bem com as frustrações. Os agressivos são aqueles que "vão para cima da cerca do limite como um tanque de guerra", discutem, argumentam, fazem de tudo para convencer e ter feita a sua vontade. Quando Jesus falou que iria para Jerusalém, por exemplo (Mc 8.33), Pedro logo começou a reprová-lo e tentar convencê-lo a desistir. Jesus, por sua vez, soube colocar bem o limite naquela manipulação: - arreda Satanás, foi sua resposta. Acho que Pedro foi colocado no seu lugar. Os manipuladores astutos são aqueles que usam do sentimentalismo, doenças (reais ou imaginárias), emoção e às vezes até da própria religião para forçar os outros a fazer alguma coisa. Quem já não ouviu a frase: "se você gostasse de mim...". Tiago e João queriam posição especial no reino de Jesus, como eles fizeram o pedido? Usando a própria mãe" (Mateus 20:20-21).
Por fim temos os insensíveis, a pessoa que está tão voltada para si, para suas necessidades, que não percebe que está sendo inconveniente, está invadindo o limite do outro. É preciso que desenvolvamos o bom senso, ou, o "desconfiômetro", para não abusarmos dos limites de alguém. Um bom amigo, o cônjuge, ou alguém de confiança pode ser muito útil para chamar a atenção, ou "dar uns toques", com amor. É preciso também muita humildade para se perceber e mudar.. Em Lucas 7 é relatado que um oficial romano tinha um servo doente. Jesus se propôs a ir até a casa do oficial. Este porém diz que não é preciso, basta apenas uma ordem de Jesus que o rapaz ficaria curado. Muita gente diz que o oficial, por algum motivo não queria que Jesus fosse em sua casa. Jesus, por sua vez, respeita o limite do homem, cura o empregado, mas não vai até a casa. Uma das marcas do cristão é o amor ao próximo, logo quem ama vai respeitar o outro e se fazer respeitar também.

3 de set. de 2011

Refeição em Família

Cear é ter um momento intimo, é desfrutar da companhia, é compartilhar a mesa. Jesus disse aos seus discípulos que desejava muito cear com eles (Lucas 22:15), não só para comer, mas principalmente para partilhar com eles a sua vida. Naquele momento tão especial Jesus ensina-lhes o princípio da mutua sujeição dando o exemplo (Lucas 22:25-27). O tempo passou e chegamos ao século 21, ainda somos igreja, ainda celebramos a ceia, ainda relembramos o sacrifício de Cristo. No entanto, algumas ênfases da primeira ceia tem sido esquecidas. O desejo de Jesus de estar com seus discípulos era muito maior do que de cumprir um ritual religioso judaico. Ele aproveitara a celebração da páscoa para mostrar o verdadeiro sentido daquela celebração, a libertação que traria na cruz (Marcos 14:22). Muitos chamam a ceia de Santa Ceia e esquecem que a ceia não é santa, ela é dos santos. A mesa propicia a comunhão, o olhar no olho, o aproximar-se. É impossível estar a mesa e não ser impelido ao perdão. Na mesa estamos lado a lado, a ao passar o prato ao meu companheiro demonstro a minha iniciativa em suprir-lhe as necessidades. Neste domingo ao celebrarmos a ceia somos levados a refletir sobre todas as implicações deste ato litúrgico. Enquanto memorial, nos leva a lembrar-nos do quanto custou a nossa redenção: “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação;” (Apoc. 5:9) Enquanto refeição, nos aproxima uns dos outros para desfrutarmos da alegria de sermos família cristã: “E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,” (Atos 2:46). A refeição é apenas um pretexto para estarmos juntos, e apesar de ser um bom pretexto não é mais importante que a comunhão. A ceia é mesa que nos aproxima de Deus e uns dos outros, é a grande oportunidade de estarmos lado a lado.