“O Dever de nos Deleitarmos na Vontade e nas Obras de Deus”
I Pedro 1:3-9
Se alguém supõe que a religião consiste meramente em autonegação e dolorosas austeridades, debilitada de melancolia e tristeza, com exclusão de qualquer felicidade, equivocou-se terrivelmente quanto ao verdadeiro caráter do cristianismo. As falsas religiões, bem como os falsos pontos de vista sobre a religião autentica, são passiveis desta acusação. Mas a religião que tem Deus como seu Autor, e que conduz a alma a Ele, é plena de paz e de alegria.Ela nos reanima em meio às provações da vida, e nos deixa contentes com toda e qualquer sorte que a providência divina nos tenha concedido, felizes no exercício da piedade e da devoção, e alegres diante da expectativa de uma infinita e plena felicidade. Para nós, o céu está bem próximo; enquanto caminhamos para aquele mundo de bem-aventurança eterna e perfeita, é nos permitido até certa medida, antecipar as suas alegrias, sendo, aqui mesmo, abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais, em cristo Jesus, nosso senhor (Ef. 1:3). Somos assim capacitados não somente a prosseguir em nossa peregrinação até a boa terra com contentamento e felicidade, mas, até mesmo, a nos “agradarmos do Senhor” (Sl. 37:4). Nossa felicidade não consiste apenas na ausência da adversidade e dor, e, sim, na presença inquestionável de positivos deleites espirituais. O deleite que acompanha outros exercícios religiosos deveria, igualmente, ser sentido quando investigamos a verdade religiosa, estimulando-nos à diligência e à perseverança nesta função. A verdade bíblica não é apenas santificadora, mas é, também, proporcionadora de felicidade. Para os antigos essa verdade parecia mais doce do que o mel e seu favo.(Sl. 19:10). Os primeiros cristãos, ao confirmarem na verdade, conforme ela se acha em Jesus, exultavam “com alegria indizível e cheia de glória”(I Pe. 1:8). Se amássemos a verdade divina como temos obrigação de fazê-lo, haveríamos de experimentar tal deleite, quando os nossos corações lhe dessem acolhida; e a investigação criteriosa das páginas sagradas deveria ser fonte do mais puro e permanente prazer. Na primeira carta do apóstolo Pedro capitulo um ele afirma isso, e glorifica a Deus dizendo; “bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”(Pe. 1:3). Porque, por meio da sua abundante misericórdia, fez-nos, novas criaturas, para deleitarmos, nas obras de suas mãos. Deus nos dá motivos suficientes para exultarmo-nos. Portanto alegremo-nos no Senhor! Por que devemos alegrar-se? Porque a abundante misericórdia de Deus nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. O simples fato de constarmos, que não somos mais os mesmo, de não nos deixarmos evolver-se, pelo engano do mundo, de os apelos do velho homem não mais direcionar nossas vontades e intenções, e sim, a intervenção divina do Espírito de Deus. Já nos é motivo suficiente para gerar em nós grande alegria. A palavra de Deus aqui em Pedro diz: Deus “nos regenerou”, formou-nos de novo, fez-nos renascer, deu-nos nova vida. Não uma nova vida física, carnal, porém, uma vida espiritual; da qual encontrava-nos mortos por conta dos nossos pecados (Ef. 2:1). Devemos nos alegrar pela abundante misericórdia de Deus, que é o motivo de não sermos consumidos, “porque as suas misericórdias não têm fim” (Lm. 3: 22), devemos nos alegrar pela nova vida em Cristo Jesus, guardada “pelo poder de Deus, mediante a fé”, e porque Deus nos deu essa nova vida; para uma “viva esperança”; para uma “herança” e para a salvação. Oh que grande bênção!!! Os aspectos das bênçãos de Deus, fortalecem nossa alegria e deleite, na vontade e nas obras de Deus. O apóstolo Pedro relaciona algumas bênçãos, pelas quais Deus deve ser bendito, e pelas quais nós devemos exultar. As bênçãos por si, só, já são motivadoras de alegria, e exultação, entretanto, ao percebermos os aspectos das bênçãos, nossa alegria e deleite, na vontade e nas obras de Deus tornam-se ainda maiores. A primeira benção relacionada por Pedro é que: somos gerados de novo para uma viva esperança, isto é, esperança que jamais pode ser extinta. Pois é a ressurreição de Jesus que nos faz nascer para essa esperança. O fato de ter Jesus ressuscitado dentre os mortos, gera naqueles que creem no seu evangelho, uma viva esperança motivada pelo amor de Deus. Essa esperança é viva porque se renova diariamente, ela é dinâmica; porque quanto mais nossa fé é fortalecida pela ação do Espírito Santo, mais crescemos na esperança de gozo futuro na presença do nosso Deus. A segunda bênção é que: somos gerados de novo para uma herança, que é incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus. É importante ressaltar que todo judeu, dos tempos do Velho Testamento, conhecia por experiência a bênção que uma herança podia proporcionar. Pedro contrasta implicitamente a velha herança, com a herança do cristão. A velha esteve sujeita a destruição, a degradação. A herança cristã é incorruptível. É sem mácula. A herança terrena dos judeus veio por vezes a contaminar-se com o pecado de israel. A do cristão está reservada nos céus, onde nada entra que possa contaminar. Não murcha. A velha herança estava muitas vezes sujeita as intemperes de um clima muito difícil como o de Canaã. A herança do cristão está fora do alcance de qualquer variações climáticas que lhe possam causar algum dano. A palavra grega para reservada é um termo militar que sugere vigilância constante. Sendo assim nenhum dano pode sobrevir à herança do cristão, porque está guardada em segurança, ou está conservada nos céus, além do alcance dos poderes terrenos, ou dos seus malefícios. Porém não somente a herança está guardada para os herdeiros; como estes de igual modo estão guardados para a herança. Estão guardados pelo poder de Deus, que é muito mais forte que a força dos perseguidores. Esta proteção divina opera na experiência do crente mediante a fé. E quando entendemos isto o imperativo é: “Nisso exultais”.As varias provações não são motivos para tristezas! É natural para nós homens e mulheres, nos entristecer, por causas de provações e adversidades da vida. Porém o apóstolo Pedro nos dá alguns motivos para que isso não gere em nós tristezas. Primeiro, porque as provações não são para sempre, são passageiras, tem um breve período, ou seja, irão passar; segundo elas só nos ocorreram se nos for necessário, para o fortalecimento da nossa fé; e como o apóstolo afirma: “para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé” que é muito mais preciosa que o ouro, se perseverarmos, isso, nos redundará em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo. Em quem nosso amor, nossa fé estão alicerçados. O qual gerou nos primeiros cristãos alegria indizível e cheia de glória, pois sabiam o resultado da fé que tinham: “a salvação de suas almas. Quanto a nós que temos crido nas obras maravilhosas de nosso Deus, devemos nos juntar ao coro dos primeiros santos, em exultação indizível e cheia de glória, e deleite, na vontade a nas Obras do nosso poderoso Deus. Pois o conhecimento de nossa posição e herança seguras, redundará em: regozijo, comprovação da realidade da nossa fé, amor crescente por Deus, e em fim, a certeza da conclusão da nossa salvação.
Pr. Aimoré Costa